Jämställdhet och religioner - Igualdade e religiões
Esse foi o tema de uma discussão acirrada que rolou na sala hoje, principalmente porque jämställdhet trata mais de uma igualdade entre homens e mulheres. Essa é uma questão muito focada aqui na Suécia, focada ao ponto de alguns exageros, como por exemplo uma multidão de feministas por todo canto; particularmente eu acho exagerada mas de uma forma necessária. A igualdade entre os sexos aqui por exemplo é grande e comeca desde cedo, nas escolas as criancas aprendem de tudo para a vida, meninos e meninas aprendem a cozinhar e costurar por exemplo e não é nada estranho se um menino gosta de brincar com a boneca e a menina com o carrinho, porque a sociedade aqui admite que haja um "dono de casa" que cuida das criancas quando é a mulher quem trabalha fora. A diferenca de salários para homens e mulheres que também é muito grande em outros países, aqui é muito discutida e a desigualdade não é tão grande mais. Por isso que eu digo que acho importante haver esse grupo de feministas extremistas, elas promovem o ato de "pensar" sobre isso pelo menos. Aqui em Göteborg tem muitas feministas, não sei se a Suécia toda é assim, moro numa cidade grande e nas cidades grandes o pensamento crítico da populacão é mais desenvolvido com certeza por haver mais contato com cultura e aqui tem muita cultura, muitos museus, teatros, casas de shows etc. Mas eu creio que devem haves esses grupos feministas nas cidades pequenas também.
Mas, voltando para minha classe... agora tenho mais colegas novos, alunos do segundo módulo do SFI que não passaram para o terceiro e entraram na minha classe para fazer o módulo mais uma vez. Entre esses novos colegas três são de países árabes e tem um pensamento muito diferente de nós ocidentais. E foi aí que comecou uma discussão acirrada, na verdade o tema era só jämställdhet, mas virou assunto religioso (isso porque as tradicões não nascem do nada, vem das religiões).
Eu estava sentada ao lado de um dos novos colegas, um iraquiano de uns 24 anos que veio pra cá em busca de asilo, quer aprender sueco mas não aceita a cultura sueca em alguns pontos, e esse era um dos pontos. Ele me disse que na terra dele a mulher é tratada como uma flor, uma deusa que deve ficar em casa sem trabalho que "lhe canse" muito, foi o que ele me falou. Pois, segundo as palavras dele, o homem é mais inteligente que a mulher então é ele quem deve trabalhar fora e decidir as questões mais importantes do casal, a mulher pode ficar em casa e decidir sobre a comida, as roupas das criancas e organizacão da casa. Eu engoli toda a vontade que eu tive de dar uma bica no meio das pernas dele (aceitando que a cultura dele está pelo menos meio século atrás da nossa) e tentei explicar que se a mulher só fica em casa, sem estudo, sem trabalho, sem trocar experiências com outras pessoas - enfim, sem viver - é claro que ela não será um poco de sabedoria, daí a única pessoa que pode tomar uma decisão, nesse caso, tem que ser o homem mesmo, que, mesmo que seja uma mula, tem pelo menos um pouquinho mais de nocão.
Depois de um debate entre grupos veio a hora de discutirmos entre toda a sala, e nessa hora a minha colega do Paquistão, "ex-muslim extremista" comecou a dizer que depois que ela veio parar aqui que ela virou gente, aqui ela pode expor suas idéias, pode discutir com o marido em casa sobre as decisões importantes que eles devem tomar (o que eu acho que deve ser muito fácil pra ela, pois a baixinha é muito dicidida e deve mandar no marido dela aqui). Ela disse que continua sendo muculmana, mas tem que saber que o mundo mudou, que os tempos mudaram e que o que talvez Maomé escreveu a trocentos anos atrás não é a realidade de hoje e tem que adaptar e atualizar o pensamento. Tem cinco anos que ela está na Suécia, mas só depois de 2 anos aqui ela compreendeu o quando ela estava atrasada no mundo, ela ainda disse que acha uma loucura homens na terra dela poderem casar com mais de uma mulher. Nessa hora, depois desse desabafo os homens muculmanos da sala estavam com seus índices de testosterona elevadíssimos com certeza e comecaram a atacar a pobre mulher dizendo que ela estava blasfemando Alá e etc... ela nem ligou, disse que quem sabe da vida dela é Alá e não eles... que se eles quiserem, podem continuar vivendo no século passado, mas que ela não aceita mais isso e que depois que ela mudou sua atitude até o marido dela a ama mais e a relacão deles ficou mais forte.
Mas não são todos os homens muculmanos que pesam dessa forma, dois de nossos colegas são mais "ocidentalizados" e mesmo que também mantém a religião, também aceitam que o tempo passa e protegeram de uma certa forma a mulher.
Mas tudo valeu a pena, sei que essa discussão promeveu uma análise nos pensamentos dos nossos colegas machistas, mesmo os muculmanos (os mais novos) ficaram com a mente pelo menos um pouco mais aberta pra discutir esses assuntos.
Por isso que eu penso, já passou da hora da igreja católica de hoje ver que estamos no ano 2006 e repensar os objetivos da igreja, porque não é possível que eles sejam os mesmos de dois mil anos atrás. A igreja precisa, a meu ver, trabalhar mais com relacão a respeito às outras religiões, com o tratamento do preconceito racial - oculto - no Brasil, a AIDS se alastrando na África (e a alienacão da igreja contra a camisinha), a nossa falta de respeito com o meio ambiente... etc... etc... etc...
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Estou feliz! O outono chegou e as árvores estão tingindo suas folhas... está tudo tão lindo! As árvores estão se tornando amareladas e as folhinhas, quando sequinhas caem no chão, sabe aqueles outonos que a gente vê em filme... pois é, eu tenho agora o prazer de conhecer!

Escrito por Raquel Heloisa às 19h47


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