Lembra daquele abraco?
Quando era crianca eu pensava nela como uma super mulher, um pouquinho xerife que não gostava muito quando eu saía mais cedo da minha sala de aula e ia visitá-la na sala em que ela lecionava na mesma escola.
Ela trabalhava muito, sempre tinha muitas coisas do trabalho para fazer em casa também e com outras três filhas mais velhas não tinha muito tempo só pra brincar comigo.
O tempo passou e eu fui crescendo e assistindo as conversas dela com minhas irmãs, todas as noites, antes de irmos pra nossas camas, passávamos um tempo deitadas todas juntas na cama dela e elas conversavam muito, eu na época não tinha tanto para contar além da minha vida na escola.
Logo depois eu saí de casa e acho que foi aí que nossa amizade cresceu, eu sabia o quanto ela era importante na minha vida e ela também passou a me notar mais porque sentiu minha falta.
Hoje ela ainda é a Super Mulher, mas xerife deixou de ser faz tempo... Penso nela como uma amiga, a melhor que pode haver, somos contemporâneas, depois que a gente amadurece, aquela diferenca de idade da infância não faz tanta diferenca assim e às vezes sinto como se ela nem pudesse ser minha mãe, ela é tão novinha, tão entusiasmada pela vida e ainda tão curiosa! Já construiu tanto e continua construindo, aprendendo.
De verdade queria que ela fosse minha filha, sinto isso às vezes, e converso com ela... dou conselhos, pergunto se ela está se cuidando, digo pra ela se alimentar melhor, pra se movimentar. Ela me olha pensativa. Pergunto como vai o trabalho, faco novas propostas, digo que às vezes precisa arriscar um pouquinho! Ela fica lá... quietinha me ouvindo falar com os olhos bem abertos... diz que entende o que eu quero dizer, até diz que eu tenho razão... mas ela nunca faz nada que eu falo. Eu fico brava com ela; mas como biologicamente é ela quem é mesmo a "mãe", ela pensa que sabe mais e deve continuar fazendo as coisas à sua maneira. Ela não sabe o quanto isso me preocupa e me deixa brava com ela porque eu a amo muito. Queria que ela fosse 1.000.000% feliz e que nunca adoecesse. Queria que ela não tivesse nada que se preocupar... se pudesse, queria construir um mundo só de alegrias pra ela viver.
Hoje ela completa 60 anos de vida e tudo que eu queria era poder abracá-la tão forte como das vezes em que eu chegava na sala de aula dela de surpresa.

Minha mãe menininha,
"aquele" abraco! Te amo muito!

Escrito por Raquel Heloisa às 10h44
Leia a Ovelha Negra direto do seu celular