"Homers" da Globo
Meu diário não é um blog político e nem vai se transformar num, é um espaco pra eu falar da vida de uma recém chegada à Suécia como também dos meus pensamentos sobre esse país como também da minha terra e do mundo. E por isso também me vejo na obrigacão em falar sobre política.
Praticamente acabei de falar com minha família agora no Brasil e ninguém está sabando nada do "Homer" - como saber se a mídia sucumbe as informacões não é mesmo? - mas tudo bem, agora você também vai saber do que eu estou falando.
Homer é o apelido nada carinhoso que os telespectadores da Globo (nós) ganhamos da equipe de jornalismo da mesma. Uma equipe de professores da USP participaram de uma reunião na emissora onde os jornalistas discutiam uma pauta sobre o Jornal Nacional. Eles foram convidados pela própria emissora e ficaram perplexos com o que ouviram, jornalistas escolhendo sem nenhuma ou pouquissíma discussão o que seria apresentado para 180 milhões de pessoas dali a pouco. E o mais chocante, somos comparados ao Homer Simpson, personagem bastante conhecido pelo mundo, com raciocínio lento, um cara preguicoso que adora comer muito e beber cerveja no sofá vendo TV e nunca consegue entender nada direito. Na tal reunião que Willian Bonner presidia, as matérias vinham de vários cantos do Brasil e do mundo e apresentadas pelos jornalistas numa teleconferência, Bonner decidia o que ia ou não para o ar e seus argumentos para a decisão eram o que o "Homer" vai entender e o que ele não vai entender. A decisão não ficava só nesse critério, rodeava também "o que" a emissora permitiria ao Homer entender e saber. Com uma notícia vinda dos EUA por exemplo, Bonner perguntou ao jornalista qual era a posicão do governo americano sobre o assunto, pois eles não queriam transmitir nada que entrasse em conflito com o governo americano, no final foi decidido que além de criar conflito, o "Homer" também não precisava saber.
Ainda sobre o assunto vi uma montagem do filme Matrix e a Globo (mídiatrix) - muito interessante pra quem não entende inglês. Pra quem entende a montagem fica meio retorcida porque é claro que eles não estão falando o que o texto sugere, mas a mensagem é a nossa realidade.
Que triste... justamente o que eu falei em dois assuntos inteiros aqui no diário. Mas não é só a Globo viu... tem muito jornal por aí que segue o mesmo rítmo da nossa principal "usurpadora" de opiniões. O Estadão é um deles, durante essas eleicões quantas vezes eu vi em manchete o quanto "a populacão" estava descontente com o governo Lula em determinada área e logo depois (bem embaixo com letras mínimas) o quanto Brasil está se desenvolvendo nessa mesma área e quantas pessoas estavam sendo favorecidas - o fato é o seguinte, como jornal impresso o Estadão tem mesmo que publicar também alguns números reais mas busca a forma mais intruncada para fazer parecer que o Brasil continua crescendo mesmo com Lula no governo... entende como é a ordem de pensamento deles? E o pior é que eles conseguem o que querem em muitos casos.
Um dia desses recebi um texto de um leitor, Luiz Carlos Bernascki, falando também sobre o assunto, vale a pena conferir. Vou postar o texto amanhã (senão meus caracteres vão pirar hoje e eu não quero correr o risco de perder tudo novamente - rs...) Legal é que revirando o endereco que ele me mandou eu fui parar no blog do Mino Carta que também está sensacional! Um dos comentários do blog é de um jornalista do próprio Estadão, olha o que ele disse no comentário:
"Pois é, caro, aqui no Estadão eu me sinto mais um vassalo do que um jornalista. Ontem, me mandaram tirar da linha fina de um título a informação de que a taxa Selic era a mais baixa desde 1986. Isto aqui não é jornal, é um comitê eleitoral. E não foi o pior episódio. Se a internet não existisse, o que sobraria do direito à informação? Longa vida à Carta Capital." - enviado por Manuel Lume


Escrito por Raquel Heloisa às 21h45



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