Mente Movimentada
Quinto dia seguido que não consigo dormir, minha cabeca vira uma turbulência de pensamentos, nada preocupante, são coisas bobas que ficam vagando na minha cabeca sem parar. A noite é uma tristeza, rolo de um lado pra o outro tentando desesperadamente focar minha mente no abstrato, mas nada dá resultado.
Penso na minha família, fecho os olhos, tento dormir com a lembranca da carinha linda dos meus sobrinhos - - - - lembro que eu ia escrever alguma coisa pra minha sobrinha mais velha, mas o que era mesmo? ... pronto, foi-se embora minha concentracão. Primeiro fracasso.
Tento, mentalmente, cantar uma música pra relaxar e me "ninar" - - - - como é que termina mesmo essa música, quem compôs mesmo...??? Aff... que idéia maluca, fracasso total.
_Tá bom, agora eu vou dormir!!! Fecho os olhos, fico numa posicão X que eu sei que o sono vem, volto meus pensamentos para o buraco negro... permaneco lá, fico imóvel, sinto todos meus músculos relaxando, mantenho a respiracão ritmada e profunda. - - - - De repente meu corpo todo estremece, até a cama balanca:
_Amor, o que foi, vc tá com frio? (Tobi preocupado)
_Não, só estou rindo mesmo... (outra tentativa frustrada, escapou uma lembrancazinha engracada)

Regnig dag – Dia de chuva
Tudo que eu queria depois de uma noite dessas aconteceu e amanheceu como os meteorologistas esperavam... um toró de dar medo e além disso meu maridinho não trabalha hoje. Dia preguicoso... Minha sogra nos convidou para almocar lá, é claro que vamos porque eu não tô nem um pouco afim de cozinhar e meu sogro ofereceu o carro pra nós por alguns dias já que ele estará visitando meu cunhadinho em Londres. O viking tem treino de futebol hoje e eu vou aprender a mexer na máquina de costura – porque já aprendi que não há uma costureira baratésima na esquina quando a gente precisa fazer algum retoque nas roupas. Sei que isso vai terminar lá pelas 7h da noite... e nós ainda temos que comprar pilha pra esse mouse que tá horrível. Aiai.... meu dia de preguica já elvis... paciência!

Músculos e fé
Como só vou às compras by bike não posso comprar tudo que quero de uma só vez, tem que caber na mochila pra poder trazer pra casa, então o supermercado tem se tornado meu passeio diário. Não sei como consigo me ocupar o dia todo, tá certo que eu gasto algumas horas filosofando, mas de fato eu não tenho tanto que fazer, então o supermercado é bem vindo. Mas hoje de manhã na academia, antes da minha tarefinha quase diária no super, percebi que eu simplesmente dobrei - or maybe almost - os valores dos pesos que eu usava no Brasil e estou muito feliz com isso (até agora não sei se era pura preguica minha ou se alguma coisa no hemisfério norte me confere uma forca sobrenatural), estou me sentindo cada vez mais forte, mais disposta e preparada para o outuno que daqui a pouco está dando às caras por aqui, os jornais já estão dizendo hej då solen (tchauzinho sol) e eu não sei se vou conseguir continuar com minha bike por todo o tempo do inverno também, sei que terão dias em que o bonde será a preferência, mas vou pelo menos tentar estar fisicamente preparada para isso. Só sei que quanto mais eu me mexo menos preguica eu tenho.
E de pensar que minha irmã está hoje na sala de operacões fazendo uma lipo... Afff... 
Ontem foi o dia da Poliana voltar para o Brasil, depois de duas semanas namorando e passeando por aqui chegou a hora dela ir embora, eu sei que isso é muito triste apesar de nunca ter ido pra o Brasil deixando o Tobi aqui, porque logo depois que vim à Suécia pela primeira vez, fui morar em Londres e nossos encontros ficaram muito mais frequentes para nossa felicidade. Eu nem queria lembrar os 11 meses que ficamos separados, matando a saudade pelo tel ou pela net. Mas nunca perdemos a fé então o amor só aumentou. E quando eu digo fé, estou dizendo fé em várias coisas, fé na vida, no amor, nas suas decisões, fé em que outra pessoa esteja lá do outro lado também tendo essa mesma fé em você, e fé no universo para que ele conspire a seu favor. É muito bom ver que isso pode acontecer nesse mundo louco, na minha sala do curso de sueco têm pessoas de todos os cantos do mundo, e todos eles, homens e mulheres, vieram parar aqui por causa do amor e da fé que eles tinham nesse amor.
- Poliana, nunca perca sua fé!
"Não se nasce crente, assim como não se nasce musculoso, a fé adquire-se, aprende-se, conquista-se, exercíta-se, tal qual o saber, tal qual a forca física." Marechal Foch

Fyra månader i Sverige - Quatro meses na Suécia
As experiências desses quatro primeiros meses foram bastante interessantes e seria legal poder dividir um pouco disso com quem pode tomar um destino igual ao meu ou apenas tenha curiosidade em saber um pouco do que uma imigrante novata pode sentir durante esse período de adaptacão.
Só nesse tempinho já aprendi:
- tirar os sapatos antes de entrar em casa; licão número 1, vc aprende no primeiro dia
- lavar a louca de um jeito diferente do que eu estava acostumada;
- aproveitar as horas e dias de sol;
- tomar mingal no café da manhã todo dia;
- aprendi que não há uma manicure baratésima na esquina em que eu possa correr para lá na sexta-feira;
- fazer xixi na floresta;
- andar, pedalar, me mexer mais;
- pensar no meio ambiente;
- aprendi que cada roupa tem que ser lavada numa determinada temperatura;
- estou aprendendo a usar o "fogão sem fogo", tento me acostumar com a chapa que não esfria na hora que desligo o fogo;
- aprendi a discernir, gracas a um pequeno hematoma, o que é um passeio e o que é uma ciclovia.
E aprendi que os suecos são:
- muito sociáveis, embora não pareca à primeira vista;
- eles têm um pouco de vergonha de mostrar seu patriotismo (por motivos que vou discutir mais tarde);
- são românticos (também embora não pareca);
- cospem no chão e não estão nem aí - homens e mulheres;
- são muito preocupados com a saúde mental e a física;
- são honestíssimos,
- são preocupadíssimos com o mundo e individualistas ao mesmo tempo;
- eles se trocam na praia enrolados na toalha na frente de todo mundo (ô povo sem classe
);
- tomam sol de calcinha, soutien e cueca e ninguém acha estranho, muito menos escandaloso, afinal de contas nossos (lê-se, brasileiros) biquínis são bem menores que nossa roupa íntima;
- eles não são muito charmosos;
- são ingênuos, não acreditam que alguém possa lhes fazer mal.
É claro que tem muitas outras coisas que eu não me recordo agora, fiz essa listinha de cabeca, mas sempre que estou andando por aqui tenho mil percepcões, não é fácil lembrar tudo rapidinho assim, vou completando a lista se lembrar de mais alguma coisa.
Sinto que o processo de mudanca mesmo está chegando ao fim, as coisas estão entrando cada dia mais no seu eixo, já me acostumei com esse teclado com å, ä, ö mas sem o C cedilha, já me acostumei com a luz do dia em perene mudanca, já me acostumei com os horários certos para lavar a roupa... enfim, tudo está se tornando realmente parte da minha vida. Só não me acostumo em ser analfabeta, é isso aí, aqui eu sou analfabeta e não tem como negar, não posso ler um jornal ou um livro, nem uma manchete que aparece estampada na TV e quando as pessoas estão conversando e eu chego perto, elas passam a falar em inglês para que eu entenda, às vezes sinto como se estivesse perturbando as pessoas com isso porque por mais que você conheca uma língua, você se expressa melhor na sua própria língua, e eles comecam com o inglês só porque eu cheguei, isso ainda está sendo, não digo ruim, mas ainda estranho para eu me acostumar.
Voltando para a Terra
Tenho um capítulo do livro do curso para estudar até que voltem as aulas na escola, este capítulo é sobre política, sistema administrativo do país e eleicão, já que as eleicões são em outubro desse ano e a professora achou que seria interessante estarmos atualizados no assunto. Estou muito feliz com o curso que estou fazendo no SFI, antes de vir pra cá estava com um pouquinho de medo porque algumas pessoas me disseram que o curso era terrível, mas quando cheguei fiquei sabendo que aqui em Göteborg e em outras "cidades grandes" da Suécia tem um curso especial mais avancado, mas só acontece raramente... Eu dei uma sorte tremenda e consegui uma vaga nesse curso - GRACAS A DEUS! Aqui tem cursos de sueco até para pessoas que não conhecem o alfabeto latino, e existe uma fila de 400 pessoas (só em Göteborg) esperando para entrar na escola, mas o governo tem a obrigacão de não deixar nenhum imigrante no país sem o estudo da língua, ou pelo menos registrado para uma escola no período mínimo de três meses. A grande sorte que eu dei foi entrar num curso especial para quem fala outra língua além da materna e têm curso universitário; estou portanto num curso rapidézimo de 4 horas diárias. Uhuuu... tudo que eu queria, overdose de sueco!
Então deixa eu ir estudar... inté! 
Relembrando...
Foi tudo ótimo, não foi como eu esperava, foi melhor! Encontrei amigos do curso de sueco em Liseberg, rimos pra caramba, gritamos (eu e a Mireil, minha nova amiga canadense), corremos, pulamos, tomamos sorvete, comemos algodão doce, ixiiii... foi uma farra, tentei até tirar fotos enquanto estava nas atracões, ficou uma tremedeira louca, um terror, só dá pra ver as bocas rindo. 

Nós na casa dos espelhos, a boca do Tobi, o meu queixo, a boca e o "jóia" da Mireil e o braco tatuado do Josef
Minhas tentativas de foto mas só consegui mesmo tirar quando o troco estava parado. Mireil e Josef - queridíssimos!
Já a viagem foi maravilhosa também, fomos para Båstad, uma cidade litorânea deliciosa, com muita natureza, muitas trilhas, amei! Ficamos na casa de campo da Katis, nova namorada no Stafan (cunhadinho). Essa região que é mais para o sul da Suécia tem praias como as nossas no Brasil, quero dizer, tem areia nas praias, é, porque aqui em Göteborg as praias são de gramado e pedra - eu particularmente adoro já que não fica aquele monte de areia entrando em tudo quanto é canto. Passamos dois dias lá e tanto pra mim quanto para o Tobi foi bótimo, deu pra espairecer legal, nós estávamos precisando mesmo disso.
Quem é a brazuca da foto? - Tobi, eu , Stafan e Katis - Båstad
No caminho para Båstad, 9:45 da noite
Fomos também a um lugar muito exótico, Ladonia, uma "nacão livre" dentro da Suécia, a história é a seguinte, um artista plástico que adorava andar por essas trilhas montanhosas que dão para o mar e fazem parte de uma reserva natural, teve a idéia de transformar os pedacos de madeira, troncos e pedacos de pau que chegavam através do mar em algo que transmitisse identidade à paisagem, e em 1980 Lars Vilks, o dito artista plástico, comecou a construir os NIMIS, nome que ele próprio deu para as esculturas em madeira e pedra que hoje realmente mudaram a paisagem do lugar, o impressionante é que pode-se entrar, escalar e andar pelo interior de tais esculturas, é incrível! Lars teve muito problema no decorrer dos anos com as autoridades que quiseram pará-lo, mas ele insistiu e em 1996 Ladonia foi declarada, por ele mesmo, uma nacão livre. O cara é doido ou não?! Bom, nós também tivemos uma sorte danada e encontramos o próprio lá, ele, um homem de uns cinquenta e poucos anos, fisíco atlético e muito carismático, estava sentado numa pedra, com um short jeans todo rasgado e um cinto cheio de bolsos e ferramentas. Eu não pude me conter e perguntei à ele quantos pregos ele teria gasto no decorrer desses 26 anos; ele respondeu -aproximadamente 200 mil. Voltamos metade da subida por dentro de uma das esculturas dele, uma espécie de escadaria, ou túnel eu diria, mas antes de entrar olhei mais uma vez pra trás e vi Lars procurando com os olhos mais um pedacinho de pau para continuar sua obra de arte. Como arquiteta, não sei mesmo como tudo aquilo para em pé, mas fiquei boquiaberta com o que vi e que infelizmente não dá pra sentir só vendo as fotos. Você pode entrar no site para ver, mas... não é a mesma coisa.
Quando chegamos em Göteborg novamente, depois da viagem, ficamos sabendo que a namorada do Erik (amigo do Tobi) está aqui na Suécia e é claro nós tínhamos que conhecê-la já que é outra brazuca querendo se aventurar nessas bandas geladas. Fomos lá na casinha de verão de Lasse e Eva (pais do Erik) para conhecê-la, mal chegamos na casa e fomos avisados que a Poliana - a namorada - tinha passado mal e desmaiado perto dali. Então fomos tentar socorre-la de alguma maneira. Chegando lá ela já estava acordada mas com uma carinha péssima, tinha passado mal por causa do calor. Acredita? Uma brazuca passando mal pelo calor aqui na Suécia?! Bom, depois ela explicou que não era só isso, que estava com a emocão a mil e não tinha bebido muita água... então tá. Almocamos todos juntos, foi ótimo poder falar com uma brasileira novamente, conversamos um pouco de tudo, mas principalmente de como eu vim parar aqui, digo, os meios legais que tive que percorrer para poder morar na Suécia, passou um filme a minha cabeca, que gracas a Deus só me trouxe felicidades. Eles vão comecar todo o processo agora, tudinho de novo, entrevistas, fotos, vistos, etc etc etc... Mas além dessa parte burocrática eles estão felizes da vida com um noivado que (espero eu, pois ainda não falei com ela) aconteceu aqui, aliás foi esse o motivo que ela alegou por passar mal, ficou muito emocionada escolhendo as aliancas para o noivado, que lindo! Ela é uma gracinha de pessoa, não deu para conversar tanto quanto eu queria, mas já deu para perceber que será muito legal tê-la aqui depois desse processo todo acabar. Boa sorte Poliana e Erik, lindo casal!

Os dois aqui na Suécia

Vi ses! - Até logo!
Os dias dessas looongas férias estão passando, gracas a Deus! Não vejo a hora de voltar para a escola, ter algo interessante para fazer, encontrar gente diferente! Aiai...
Bom, mas amanhã vou encontrar meus amigos do curso, convidei todos para irmos a Liseberg, o fantástico parque de diversões que tem aqui perto de casa e que é uma delícia! (*não tenho certeza, mas acho que é o maior da Escandinávia, vou me informar melhor, quem quiser bisbilhotar um poquinho clique aqui. Tenho certeza que amanhã vou rir que nem crianca, me sujar toda, me molhar no Flumeride (versão sueca do Splash) e voltar para casa com algum hematoma, sim, porque eu também sou o desastre em pessoa. Ah... aliás, eu não vou voltar para casa amanhã! Estava me esquecendo, meu viking vai pegar o carro emprestado com os pais dele e nós vamos fazer uma viagenzinha básica para o campo, vamos para Båstad, ô dilícia! Voltamos só na quarta-feira. Então, vi ses!

* Não só é o maior parque de diversões da Escandinávia como também a maior atracão turística! E eu tenho ingressos para ir quantas vezes quiser, não é o máximo?!?
Um pouco sobre mim
Meu nome é Raquel Heloisa e eu tenho o maior orgulho dele desde que era pequenininha. Como qualquer um nesse planeta tenho meus defeitos e qualidades, sempre gostei de me aventurar, de conhecer lugares, pessoas e coisas diferentes. Fui um pouco desobediente (mas não muito) na infância quando tentavam me proibir de fazer alguma coisa. Minha grande vontade de conhecer o mundo comecou cedo, quando tinha 5 anos fiz uma trouxinha para fugir de casa. Nessa época e até os 12 anos mais ou menos eu rezava - de verdade para o papai do céu - para algum ET me roubar e levar para outro planeta. Sonhava ser astronauta.
Não gosto muito de conversa fiada... Gosto de filosofar, de falar sobre costumes, sociedade, lugares e tecnologia.
Sou um desastre em relacão a planejamentos e horários. Sou dorminhoca.
Sou uma mulher extremamente tarada. E tarada por várias coisas...
Adoro a língua portuguesa, apesar de não ter o dom da palavra, acho o português rico, fluente, harmônico, elástico... enfim, envolvente. Adoro o falar coloquial, o "uai" do mineiro, o "bixim" do nortista, o "guri" do sulista e por aí vão tantas formas de expressão que enriquecem essa nossa língua. Uso sempre a forma coloquial, acho maravilhosa.
Odeio preconceitos de todos os tipos, preconceito para mim é sinal de pura ignorância.
Sou ansiosa. Rôo unhas enquanto penso ou assisto um jogo de futebol.
Sou viciada em jogos, qualquer tipo de jogo, jogos de estratégia, baralho, raciocínio e vários esportes - amo competir.
Morei em vários lugares, às vezes com minha família, às vezes sozinha ou com amigos, com namorado, e atualmente com meu marido. Ainda não tenho filhos.
Amo criancas, acho facinante o universo infantil. Penso na responsabilidade de educar um filho, coisa engracada é que desde que era crianca eu já pensava em o que iria ensinar para as "minhas criancas".
Adoro pessoas inteligentes, tenho inveja das pessoas práticas.
Se eu pudesse andaria com uma caixa de som acoplada nas costas tocando MPB- Vinícius, Toquinho, Tom, e também Zé Ramalho, Elba, Marisa Monte, amo também os universais Beatles, Queen e ABBA. Alguma coisa do pop rock brasileiro como Rita Lee, Barão Vermelho, Titãs, Raul Seixas... e gosto de música clássica apesar de não conhecer muita coisa, mas só ouco de vez em quando, nas horas que quero só parar para pensar e estou sozinha.
Não gosto de doces, não bebo refrigerantes, adoro suco natural - sem acúcar! Não como gordura, "muito" raramente como fast food. Cuido da minha saúde, me movimento, frequento academia, mas não sou fissurada pelo belo físico, mas sim pelo físico são. Penso que devemos respeitar o corpo. Sou o tipo de pessoa que fica maluca quando vê um gordinho entrando num fast-food. Às vezes sou muito chata com meus amigos gordinhos.
Tenho uma grande qualidade, sou otimista. Tenho uma fé inabável.
Ou duas talvez, sou adaptável ao extremo.
Não gosto de brigas, elas me consomem muito, me sinto exausta depois de uma discussão sem fundamentos (diferente de discussões fundamentadas sem brigas - que eu adoro).
Rôo unhas.
Não penso em juntar dinheiro, prefiro gastar com viagens pois acho a melhor forma de adquirir conhecimento.
Sou simples.
Sou indecisa. Demoro muuuuuuito para decidir entre uma coisa ou outra, mas quando decido não há nada nesse mundo que possa me fazer parar, escuto muito das minhas amigas que sou decidida, mas na verdade eu sou é determinada (depois que já consegui me decidir). Esse é meu defeito mortal.
Não, tenho dois defeitos mortais, nunca fui boa de manter contato com meus amigos, mesmo aqueles que amo e morro de saudades.
Tá bom, talvez três defeitos mortais... não tenho criatividade nenhuma na cozinha, tenho que seguir uma receita de "cabo a rabo" senão desanda tudo.
Sou palhaca e adoro rir.
Sou sarcástica e irônica.
Sou responsável, mas esquecida. Tenho que anotar as coisas, esqueco mesmo aquelas coisas que são mais importantes para mim que para qualquer pessoa. Já escutei _"você esqueceu porque não era do seu interesse!" - mas ninguém têm idéia de como eu esqueco as coisas que só são interessantes para mim mesma.
Sou exagerada.
Sou "A" sagitariana.
Rôo as unhas.
Sou a ovelha negra da família, mas assim mesmo Papai do céu ouviu minhas súplicas, mandou um ET me roubar e agora eu vivo em outro planeta - também conhecido como Suécia.
Ah... não posso deixar de escrever aqui uma coisa, SOU FELIZ DEMAIS DA CONTA SÔ!

Aos meus amigos.
Ofereco-lhes essas palavras que não são minhas, mas conseguem expressar o profundo amor que sinto por cada um de vocês.
Para todas essas pessoas ilustres, um poema do meu querido poeta Vinícius de Moraes.
Tenho Amigos
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ..
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando
daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os."
Reaprendendo a andar
E eis que pela segunda vez eu me vi num mundo diferente do que eu estava acostumada a ver. Mudar de país pode trazer saudade e solidão mas com certeza dá muito mais do que cobra, seus olhos, ouvidos e cabeca se abrem para outros horizontes. Você percebe o quanto é bom ser brasileiro e percebe o quanto é ruim ser brasileiro, percebe que nosso povo tem inúmeras qualidades e incontáveis defeitos. Mas o interessante é que você aprende também qualidades e defeitos de outros povos e tenta se adaptar à esses novos costumes.
Quando cheguei em Londres anos atrás, em minha primeira experiência no exterior com minhas malinhas e uma vontade imensa de "descobrir o Brasil" (no caso a Europa), eu tive que engolir um feijão com extrato de tomate, uma salsicha branca sem gosto e um ovo no café da manhã inglês, mas eu o engoli. Por vezes empurrando com a língua, mas engoli tudo, o trânsito louco que corre no sentido oposto, a chuva que caía fina nas manhãs, -o que nem sempre era mau - aprender com os próprios ingleses o que fazer para secar os sapatos e casacos, decifrar o inglês falado em todos os mais variados sotaques e é claro, manter meu oyster em dia...
Na verdade tenho que dizer que tudo foi muito fácil, Londres é repleta de brazucas, em qualquer lugar que você vá, em qualquer ônibus que você ande, não há como fugir, você sempre acaba ouvindo através de uma conversinha no celular, ou numa turma inteira rindo escandalosamente, você acaba ouvindo o português e eu estou dizendo o português brazuca. No comeco era engracado, eu sentava no ônibus a caminho da escola (+/-30 min) e ficava viajando nas pessoas, "quem era da onde". É, porque em Londres você esbarra com gente de todo canto do mundo, mas meus olhos procuravam brasileiros e eu quase sempre acertava, brasileiro não pára, ou fica pensando alto e se movimentando loucamente, ou está anotando alguma coisa, ou está falando no telefone, ou até chorando escondidinho.
Depois eu passei a nem ligar mais, era tanto brasileiro que eu ficava até com medo de algum estar ouvindo meus pensamentos, me sentia em casa, me sentia em Sampa (uma São Paulo muito mais limpa, organizada, com transporte digno, posso dizer- ah e é claro, com ataques terroristas, que infelizmente pude vivenciar). O tempo em Londres foi bom, conheci gente da Europa e do mundo inteiro, fiz amigos passageiros e também amigos que desejo manter contato sempre, se pudesse, carregava-os comigo.
Mas agora estou aqui, aqui na Suécia, e aqui sim é outro mundo. Você pode até encontrar brasileiros, mas nunca por acaso, precisa ir a algum clube brasileiro ou algo assim. Sei que essa sensacão de "estar no novo" vai acabar em um tempinho mínino, aliás, já está acabando porque já estou fazendo meus próprios amigos aqui e isso me tira de um limbo social que é parte dessa sensacão.
E agora vivendo na Suécia, comecei a aprender a fazer tudo de novo, só que de um jeito diferente - do jeito sueco. Não quero dizer que deixo de ser brasileira ou que tento forcosamente imitar o jeito sueco de ser, mas aqui eu tento captar as regras socias e me adaptar à elas porque as regras socias falam muito da cultura de um povo e só entendendo/aprendendo a cultura de um outro povo, você pode enriquecer e expressar sua própria cultura.
Voltando para a Terra: meu maridinho está quase chegando do trabalho e eu vou tomar um banho e ficar linda para ele, amanhã a gente proseia mais!

É HOJE
Até que enfim comecei a escrever meu blog, diário, auto-reflexão, sinopse do dia... enfim, sei lá o que isso vai virar, mas tudo tem que comecar do comeco não é?! Então aqui vou eu, sem o cedilha (me perdoem) mas com boas intencões.

Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto prá dormir e sonhar
E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração
E aprendi ...
Final:
O coração, o coração
Gonzaguinha
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Meu Perfil
Suécia, Mulher, Viagens, Arte e cultura, Sociedade, Saúde e Beleza, Aventura MSN - raquelheloisa@hotmail.com
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